CASTELOS DE AREIA

Fatima Ronquillo

Ele acordou pronto para brincar no seu castelo de areia construído na praia, em frente a sua casa. De olhos abertos percebeu o corpo cansado, muito cansado. Sem conseguir se mover, viu ao redor da cama muitas pessoas, mas não reconheceu nenhuma delas. Não encontrou a sua mãe e nem mesmo o seu pai. Suas últimas lembranças eram de um dia de sol, com o vento no seu rosto, as ondas do mar, ondas de todos os tamanhos, e dos gritos da sua mãe! De olhos bem abertos não entendeu o porquê daquela festa com balões, bolo e até velas – dezenas de velas! Todos à sua volta comemoravam: crianças, jovens, casais, senhoras, fotógrafos, muitos fotógrafos e até enfermeiras e médicos! O que ele teria feito de tão milagroso? Certamente a felicidade era apenas parte daqueles desconhecidos! Que milagre haveria em acordar aos cem anos de idade? Sentiu como se tivessem lhe roubado todas as lembranças, os mais sublimes sentimentos! Naquele momento ele era o próprio castelo de areia da sua infância, que outra vez se desmancharia com a força das ondas do mar – mas dessa vez sem ninguém para salvá-lo, e nem mesmo  tempo para se reconhecer em uma nova vida.


Para ler ao som de The Day All My Dreams Come True de Patrick Doyle

Comentários

Emilie S. disse…
Uau Que frustrante deve ser acordar com 100 anos =O
Tipo,a vida acabou...
Emilie Escreve~
Anônimo disse…
http://www.youtube.com/watch?v=MclLF473XtA
Maria Bonfá disse…
lindíssimo..vc escreve muito bem.me senti até meia nostálgica ao ler..parabéns..beijo