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23 fevereiro, 2011

LADRÃO DE EFEMERIDADES


Obra de Ana Maria Pacheco


Quando abriu os olhos o quarto estava do mesmo modo em que havia deixado antes de dormir. Ao entrar no banheiro viu na janela uma estranha de cabelos negros que a olhou no fundo dos olhos. De olhos fechados desejou que tudo aquilo fosse um sonho. Tentou descobrir como alguém poderia ter entrado. Ainda de olhos bem fechados lembrou que no banheiro não havia janela. Ela, surpresa, ergueu-se diante da misteriosa janela e abriu os olhos. Confusa, analisou cada milímetro daquele rosto cansado e descobriu que a estranha era ela refletida no espelho.
- O que você fez durante todos esses anos presa aí dentro?
Por um momento o silêncio se fez resposta refletido no espelho. Inquieta, escovou os dentes observando estranhas baratas invadirem o seu quarto. Correu até a janela e a encontrou entreaberta.
- Então é por aqui que estão entrando? O que essas baratas querem de mim? – Esbravejou.
As baratas eram a prova que faltava.
- Roubaram-me enquanto eu dormia! – Pelo tamanho da fresta concluiu que alguém mais havia entrado no quarto.
Ela, inconformada, analisou todos os seus pertences. Tudo pareceu estar no seu devido lugar. Abriu o guarda-roupa e lá estava intacto o seu segredo: uma linda caixa de vidro decorada com fitas verdes. Abriu a caixa cuidadosamente observando as velhas fotos e uma única carta de amor. Ficou ali sentada durante horas, entretida com aqueles estranhos pertences. Com os olhos cheios d’água sentiu-se enganada. Que amor era aquele descrito naquela carta? Quem eram aquelas pessoas naquelas fotos? Quem poderia ter feito aquilo com ela? Seria um plano para implantar aquelas lembranças em sua memória?
A noite se aproximava, e ela, cansada, desistiu de entender o que tinha acontecido. Fechou a caixa, a janela e desistiu de procurar o que mais poderia estar faltando. Na verdade, não percebeu, assim que dormiu, que haviam lhe roubado todas as lembranças.

6 comentários:

Vanessa disse...

Queixo caído!

Será que algumas lembranças poderiam ser roubadas? Tipo, alguma coisa bem ruim? Seria tão bom se eu tivesse algumas coisas roubadas nesse sentido...

Bjo meu.

F. Otavio M. Silva disse...

OI,muito interessante seu blog, to passando aki pq vi q vc é seguidora do blog do meu amigo, O abismo do Obscuro, e por isso quero convidar vc para dá uma olhada no meu blog http://otaviomsilva.blogspot.com/
desde Já agradeço, Forte abraço

PS; Sigo de volta

Vanessa disse...

Que honra ter você assim tão empenhado em me acompanhar! Saiba que a recíproca é muito verdadeira.
Temos uma alma semelhante. Saudades da minha época de Célia Helena, vi que temos o teatro como paixão em comum também...
Nem sei agradecer o seu carinho, mas saiba que tens aqui uma menina que muito admira seu trabalho e que sempre vai estar aqui.

Gde beijo,

Vã.

MAILSON FURTADO disse...

Belo blog rapaz!!!

Sou um afixionado por arte, principalmente TEATRO, tenho minha própria CIA, a qual sou diretor, ministro oficinas também aqui na região onde moro...

Fico feliz em conhecer vc com gostos tão parcidos com os meus...

Convidaria vc a conhcer meu blog (poesia, musica, teatro)

Ficaria feliz! http://mailsonfurtado.com

disse...

Boa noite Emerson! estava passeando por seu blog.
Gostei muito do que li.
;)

PP disse...

erá que roubaram minhas lembranças? Se roubaram, não roubaram as melhores, que são as da nossa história ... Lindo conto ... Boa Sorte ... hoje começas uma nova história ... etou aqui mandando muita energia ... TE AMO ... PP

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