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02 maio, 2007

O tempo da História de Emengarda

Nicoletta Ceccoli
O que dizer quando o coração se cala? O que fazer quando os pensamentos cessam? Eram essas as indagações que Emengarda tinha dentro do seu relógio. Quando Emengarda completou a idade de entender que era gente, ela esqueceu o que era felicidade. Assim foi sua vida, como a de um ponteiro de um relógio que gira, gira e gira.... E da voltas, e mais voltas, e continua a girar sem parar... Mas nunca sai do lugar e nem fica tonto! (...) Quando as pilhas do seu pequeno relógio esgotaram, ela suspirou. Mas não foi um suspiro qualquer. Foi um suspiro que levou o tempo que se leva para dizer: “o tempo mandou perguntar para o tempo quanto tempo o tempo tem o tempo mandou responder para o tempo que o tempo não tem tempo de dizer quanto tempo o tempo tem”. E foi na duração desse suspiro com gosto de tempo e cheiro de lembranças que ela descobriu o que tinha deixado adormecido na sua infância... Emengarda não era boba para contar isso a alguém, muito menos para um diário. Ela sempre disse que um diário é um bom amigo, pois sempre ouve atentamente os segredos, qualquer segredo. Mas apesar de ser mudo, não era conveniente contar-lhe com todas as palavras os segredos, pois ele facilmente enamorava-se por outros olhos. (...) Sua vida não deu muitas voltas nem reviravoltas. Não foi circular nem retilínea. Sua vida foi como tinha de ser. E tinha de ser como os sonhos. Como daqueles sonhos que quando acordamos ainda nos lembramos, ou lembramos quando ainda estamos sonhando, ou ainda, daqueles que quando acordamos nem nos damos conta de que sonhamos uma noite inteira... (...) Na verdade, Emengarda não se entristeceu por ter levado dentro do seu relógio apenas alguns segundos... Tudo dentro do seu relógio empalidecera-se, até os ponteiros. Mas o que era invisível, impalpável e imensurável, tornou-se intenso após seu suspiro, e então, ela sorriu. Sorriu e guardou junto do seu coração o segredo; o seu segredo. E foi assim...
O coração de Emengarda calou-se e os seus pensamentos cessaram num breve e terno sorriso.

4 comentários:

Alexandre disse...

Ola jovem, mto interessante vc postar esses textos aqui e abrir ao publico leitor que é mto pequeno por sinal...

Esse texto especificamente é mto provocante ao leitor que possui um sensso critico agussado. Falar sobre o tempo, é uma tarefa mto dificil pq é algo abstrato. Mas a ideologia que existe por traz das palavras do texto é mto interessante. O que estamos fazendo com o tempo?, o que é o tempo? p/ que serve o tempo? qdo tempo temos? ainda há tempo? nós passamos pelo tempo ou ele passa pela gente?...
são bons questionamentos, sempre tentamos mistificar ou dificultar aquilo que nos parece estranho , diferente, inalcansavel... o tempo , o senhor da da sabedoria, aquele que cura dores de amor... o tempo nada mais é do que uma convenção criada pelo homem p/ melhor poder organizar-se nesse espaço (lugar) onde vive...

EU /SEU disse...

Amore esse textinho não preciso nem dizer nada né??? Lido juntinho e me identifiquei muito ... BEIJOS!!!

Anônimo disse...

Quando eu morrer... queria morrer da forma que teus personagens morrem...

PP disse...

Lembro da primeira vez que li esse texto maravilhoso ... te amo hj e sempre!!!

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